Espaços assinados por grandes arquitetos e edifícios históricos fazem destas vinícolas referências também pela arquitetura.
Publicado em 17 de jul. de 2026, 15:00

Antinori nel Chianti Classico. (Divulgação/CASACOR)
Muito além das áreas destinadas à produção e ao armazenamento de vinhos, algumas vinícolas transformaram a arquitetura em parte da experiência de visitação. Adegas, hotéis, restaurantes e espaços de degustação passaram a ocupar edifícios concebidos para valorizar a paisagem e traduzir a identidade de cada região produtora.
Entre construções históricas preservadas e projetos contemporâneos assinados por grandes escritórios, essas propriedades mostram como o desenho arquitetônico pode contribuir para aproximar visitantes do território, da cultura local e da própria tradição do vinho.
Localizada no Vale de Millahue, a cerca de duas horas de Santiago, a Viña VIK nasceu da ambição de produzir bons vinhos sem abrir mão de uma arquitetura marcante. Para isso, seus fundadores promoveram um concurso que resultou na escolha do arquiteto chileno Smiljan Radić para realizar o projeto em parceria com a também chilena Loreto Lyon.
Viña Vik. (Divulgação/CASACOR)
A adega foi parcialmente inserida no relevo para reduzir o impacto sobre a paisagem do vale. Sua cobertura translúcida permite a entrada abundante de luz natural, enquanto um espelho d'água conduz os visitantes até o edifício, reforçando a integração entre arquitetura e natureza. O conjunto ainda abriga um hotel desenhado pelo uruguaio Marcelo Daglio.
Nos arredores de Bordeaux, o Château Pape Clément reúne mais de sete séculos de história. A propriedade recebeu esse nome em homenagem ao papa Clemente V, que administrou a área antes de assumir o pontificado no século XIV, tornando-se uma das vinícolas mais antigas do mundo.
Château Pape Clément Expedia. (Divulgação/CASACOR)
Seu conjunto arquitetônico preserva construções em pedra típicas da região bordalesa, jardins formais e pátios que reforçam a atmosfera histórica do château. Ao longo dos anos, as áreas de produção foram modernizadas sem descaracterizar o patrimônio existente, demonstrando como técnicas contemporâneas podem coexistir com edifícios históricos em um mesmo complexo.
Poucos projetos redefiniram a relação entre arquitetura e enoturismo como a Bodega Marqués de Riscal, em Elciego. Embora a vinícola exista desde o século XIX, ganhou projeção internacional em 2006 com a inauguração do hotel projetado por Frank Gehry, autor do Museu Guggenheim Bilbao.
Bodega Marqués de Riscal. (Divulgação/CASACOR)
O edifício tornou-se um dos principais ícones da arquitetura contemporânea espanhola graças à cobertura formada por grandes fitas metálicas em titânio rosa, dourado e prateado, que parecem flutuar sobre a estrutura. O contraste entre as formas esculturais do hotel e os edifícios históricos da vinícola simboliza o diálogo entre tradição e inovação que caracteriza o complexo.
No coração da Toscana, a Antinori nel Chianti Classico tornou-se uma referência internacional ao reinterpretar a relação entre arquitetura e paisagem. Inaugurada em 2012 e projetada pelo escritório Archea Associati, a vinícola foi implantada de forma a se integrar às colinas da região, reduzindo seu impacto visual e preservando a leitura contínua dos vinhedos.
Antinori nel Chianti Classico. (Divulgação/CASACOR)
Grande parte da construção está inserida na encosta, enquanto apenas dois cortes horizontais revelam o edifício ao visitante. A cobertura foi transformada em vinhedo, permitindo que a vegetação avance sobre a arquitetura, e uma escadaria helicoidal em aço corten conecta os diferentes níveis do complexo. Além do impacto estético, a implantação subterrânea contribui para o controle natural da temperatura durante o processo de vinificação, unindo eficiência técnica e integração com a paisagem.
Situada na região de Rheingau, às margens do rio Reno, a Schloss Johannisberg ocupa um dos conjuntos históricos mais importantes da viticultura europeia. O castelo barroco, reconstruído no século XVIII sobre as ruínas de um antigo mosteiro beneditino, tornou-se uma referência mundial na produção da uva Riesling (associada à produção de vinhos brancos intensamente aromáticos).
Schloss Johannisberg. (Divulgação/CASACOR)
A arquitetura preserva a monumentalidade típica das propriedades aristocráticas alemãs, com edifícios históricos organizados em torno de pátios internos e cercados por extensos vinhedos. Terraços, jardins e adegas subterrâneas reforçam a relação entre patrimônio, paisagem e tradição vitivinícola.
Situado no Alentejo, o L'AND Vineyards combina hotel, vinícola e residências em um empreendimento que explora a relação entre arquitetura, natureza e bem-estar. O plano diretor foi desenvolvido pelo arquiteto português João Luís Carrilho da Graça, enquanto parte das villas foi projetada pelo Studio MK27, liderado pelo arquiteto brasileiro Marcio Kogan.
L'AND Vineyards. (Divulgação/CASACOR)
A linguagem arquitetônica privilegia volumes horizontais, materiais naturais e grandes aberturas voltadas para os vinhedos. Pátios internos, espelhos d'água e áreas de convivência criam uma transição suave entre interior e exterior. O resultado é um conjunto que valoriza a contemplação da paisagem e transforma o vinho em parte de uma experiência arquitetônica.
Localizada na Chapada Diamantina, na Bahia, a Vinícola UVVA destaca-se por apresentar uma arquitetura profundamente conectada às características naturais do sertão baiano. O projeto, assinado pela arquiteta Vanja Hertcert, utiliza volumes de concreto aparente, vidro e pedra para estabelecer um diálogo discreto com o relevo e com os extensos vinhedos cultivados em altitude.
Vinícola UVVA. (Divulgação/CASACOR)
A implantação privilegia a contemplação da paisagem em diferentes pontos do percurso, enquanto grandes panos de vidro aproximam visitantes e natureza durante a experiência. A simplicidade formal do conjunto permite que o protagonismo permaneça na topografia da Chapada Diamantina, reforçando uma arquitetura que valoriza o território em vez de competir com ele.