Assinado pelo arquiteto Rafael Ramos (do elenco CASACOR RIo de Janeiro), o projeto de reforma transformou um imóvel antigo em um lar aconchegante e integrado à Floresta da Tijuca para uma família desacelerar a rotina no Rio de Janeiro
Publicado em 21 de ago. de 2026, 18:00

Com vista para a mata, dúplex dos anos 1960 ganha mesa de bilhar na sala. Projeto de Rafael Ramos. (Produção visual: Andrea Falchi | Foto: Luiza Schreier/CASACOR)
Abraçada pela mata fechada e emoldurada pela vegetação exuberante da Tijuca (no Rio de Janeiro), esta cobertura duplex de 340 m² traduz a essência do morar bem contemporâneo: a busca por desacelerar o ritmo urbano sem abrir mão da praticidade e da conexão com a cidade. Localizado a poucos minutos da estação de metrô Uruguai, o imóvel passou por uma transformação completa conduzida pelo arquiteto Rafael Ramos (do elenco CASACOR Rio de Janeiro) para se tornar o novo lar do estatístico Rafael Sach, da jornalista Pamela Lang e da filha do casal, Sabrina.
Com vista para a mata, dúplex dos anos 1960 ganha mesa de bilhar na sala. Projeto de Rafael Ramos. (Produção visual: Andrea Falchi | Foto: Luiza Schreier/CASACOR)
A história do projeto começou a se desenhar quando os moradores chegaram ao escritório por indicação de amigos que haviam reformado com o arquiteto durante a pandemia. Adquirida pouco antes de uma longa viagem do casal à China, a cobertura trazia os atributos generosos dos edifícios dos anos 1960 — amplos espaços, pés-direitos altos e uma vista deslumbrante —, mas acumulava graves patologias construtivas, como infiltrações, rachaduras, trincas e esquadrias totalmente comprometidas. O período em que a família esteve no exterior tornou-se a oportunidade perfeita para o desenvolvimento do projeto executivo, permitindo que as intervenções estruturais, de interiores e o desenho autoral da marcenaria fossem detalhados minuciosamente.
Com vista para a mata, dúplex dos anos 1960 ganha mesa de bilhar na sala. Projeto de Rafael Ramos. (Produção visual: Andrea Falchi | Foto: Luiza Schreier/CASACOR)
O ponto de partida para a nova arquitetura de interiores foi a reorganização espacial completa, priorizando a funcionalidade, a iluminação natural e a integração entre os ambientes de convivência. No pavimento inferior, a cozinha foi aberta para o living, um dos antigos dormitórios deu lugar à aconchegante sala de TV e o banheiro social foi redistribuído para atender com mais conforto a área social e a suíte master.
Com vista para a mata, dúplex dos anos 1960 ganha mesa de bilhar na sala. Projeto de Rafael Ramos. (Produção visual: Andrea Falchi | Foto: Luiza Schreier/CASACOR)
Com a nova setorização, o primeiro nível passou a abrigar a ala íntima — composta pela suíte do casal, o quarto da filha e um dormitório de hóspedes — além das áreas de estar, jantar e TV integradas. Já o pavimento superior concentra a experiência de lazer da família: ganhou uma nova cozinha gourmet perfeitamente integrada à área externa, que passou por uma complexa requalificação estrutural para recuperar a antiga piscina e incorporar um ofurô, lavabo e espaços de estar ao ar livre.
Com vista para a mata, dúplex dos anos 1960 ganha mesa de bilhar na sala. Projeto de Rafael Ramos. (Produção visual: Andrea Falchi | Foto: Luiza Schreier/CASACOR)
O maior desafio técnico da obra residiu na reformulação da circulação vertical entre os pavimentos. A antiga escada helicoidal, desconfortável e antiquada, foi demolida após laudo estrutural e reforço com novo vigamento metálico. No seu lugar, o arquiteto desenhou uma nova estrutura que vai além da simples função de conectar os andares: a peça foi concebida como um móvel multifuncional que integra banco, chapelaria e sapateira no pavimento de entrada, acomodando ainda gravuras trazidas da China pelos moradores.
Com vista para a mata, dúplex dos anos 1960 ganha mesa de bilhar na sala. Projeto de Rafael Ramos. (Produção visual: Andrea Falchi | Foto: Luiza Schreier/CASACOR)
A atmosfera de casa de serra em pleno Rio de Janeiro é reforçada por uma estética acolhedora e contemporânea. A base cromática neutra e luminosa destaca as paredes brancas e o piso original de tábuas corridas, que foi totalmente restaurado, clareado e finalizado com acabamento fosco. Toques quentes e terrosos surgem na marcenaria sob medida de freijó linheiro claro, combinada a tecidos naturais, tapetes e elementos em tons de terracota, areia, verde esmaecido, off-white e palha. Pontos estratégicos pretos garantem contraste e elegância.
Com vista para a mata, dúplex dos anos 1960 ganha mesa de bilhar na sala. Projeto de Rafael Ramos. (Produção visual: Andrea Falchi | Foto: Luiza Schreier/CASACOR)
Pensado para viver a casa em sua plenitude, o layout do living abraça múltiplos usos. O sofá-ilha posiciona-se de frente para a copa das árvores, permitindo flexibilidade de arranjo conforme a ocasião. Na sala de jantar, a mesa principal esconde uma funcionalidade especial: transforma-se em mesa de bilhar, hobby favorito da família.
Com vista para a mata, dúplex dos anos 1960 ganha mesa de bilhar na sala. Projeto de Rafael Ramos. (Produção visual: Andrea Falchi | Foto: Luiza Schreier/CASACOR)
Entre a escada e a janela principal, uma bancada-bar de pedra acomoda bebidas com armário suspenso e mini adega. Na cozinha integrada, a ilha com cooktop foi posicionada voltada para a sala de jantar e para a vista da floresta, contando ainda com uma copa para refeições diárias, um nicho de café e uma cristaleira transparente para louças de viagens.
Com vista para a mata, dúplex dos anos 1960 ganha mesa de bilhar na sala. Projeto de Rafael Ramos. (Produção visual: Andrea Falchi | Foto: Luiza Schreier/CASACOR)
O grande destaque do décor é uma vitrola de 1958, trazida da Alemanha pelo avô da moradora e restaurada em Minas Gerais, combinando a madeira original a um sistema moderno de áudio por Bluetooth. O acervo inclui ainda obras de arte, como uma tapeçaria comprada em Oaxaca, no México, telas de viagens e uma pintura do artista Edu Mattos, fornecida pela Casa Ocre, que reina na sala de TV.

















