Para a sua própria casa de veraneio na Bahia, arquiteta Patricia Martinez (do elenco CASACOR São Paulo) assina um projeto que equilibra brises de madeira, pedra nacional e curadoria de arte em 263 m²
Publicado em 2 de out. de 2026, 14:00

Projeto de Patricia Martinez. (Salvador Cordaro/CASACOR)
Concebida como um verdadeiro exercício de síntese, a Casa Bahia traduz a busca por essencialidade em cada linha. Assinada pela arquiteta Patricia Martinez, à frente do escritório Patricia Martinez Arquitetura e elenco CASACOR São Paulo, a residência de veraneio foi criada para ser seu refúgio pessoal e manifestar, de forma concreta, sua própria visão sobre o morar. “Queria que a casa me representasse como arquiteta em todas as esferas, em todos os meus cuidados. Desde a arquitetura de boas proporções até os detalhes na escala mínima, tudo foi pensado de forma muito pessoal”, comenta.
Projeto de Patricia martinez. (Fran Parente/CASACOR)
A organização espacial da casa de 263 m² parte de um embasamento quadrado de madeira biriba, responsável por estruturar o pavimento térreo com solidez e permeabilidade visual. Nesse nível, a área social integra-se de maneira fluida ao exterior por meio de um deck contínuo e de uma piscina de mármore travertino nacional, elementos que estendem o estar rumo à paisagem e se voltam para a vista de uma reserva ambiental nativa.
Projeto de Patricia martinez. (Fran Parente/CASACOR)
O piso de cimento queimado reforça a sensação de continuidade entre os ambientes internos e externos, enquanto a calidez da madeira envolve o espaço com acolhimento.
Projeto de Patricia martinez. (Fran Parente/CASACOR)
A escolha dos materiais desempenha papel central nessa narrativa arquitetônica. A fachada combina esquadrias de madeira com estrutura de peroba e cobertura com telhas do mesmo material, criando uma unidade estética coerente com o bioma baiano.
Projeto de Patricia martinez. (Fran Parente/CASACOR)
Para responder aos desafios do clima tropical, painéis deslizantes transparentes atuam como brises funcionais, permitindo o controle da luminosidade natural e gerando agradáveis zonas de sombra nas áreas de convivência. No térreo, a disposição funcional abriga cozinha, lavabo, lavanderia e um quarto acessível.
Projeto de Patricia Martinez. (Salvador Cordaro/CASACOR)
Sobre essa base terrosa e integrada, um volume branco de geometria limpa e bem definida configura o segundo pavimento, resgatando o desenho mais essencial da casa arquetípica. O nível superior concentra a área íntima, composta por duas suítes, e culmina em um rooftop projetado para momentos de pausa e contemplação — um refúgio ideal para observar o pôr do sol, ler ou assistir a um filme ao ar livre.
Projeto de Patricia Martinez. (Salvador Cordaro/CASACOR)
Para o andar superior, o piso de cumaru rústico introduz uma textura quente e leve, estabelecendo um contraste sutil e elegante com o térreo.
Projeto de Patricia Martinez. (Salvador Cordaro/CASACOR)
A sensibilidade do projeto também se manifesta na curadoria de arte, assinada pessoalmente por Patricia Martinez. Logo na entrada, uma obra de Deco Adjiman (da Galeria Luis Maluf), formada por poemas e mensagens engarrafadas, propõe a primeira conexão afetiva com a residência.
Projeto de Patricia martinez. (Fran Parente/CASACOR)
No percurso em direção ao lavabo, dois japamalas interligados ganham presença escultórica, enquanto a sala de estar recebe a obra Intervalo de luz entre dois mistérios, de Ivan Grilo, que convida à reflexão sobre os ciclos da vida. A textura natural se reafirma no painel de sisal da Oiamo, amarrando a arte à materialidade da arquitetura.





































