Localizado em um predinho dos anos 1940 em Botafogo, o primeiro apartamento de Miguel Capanema (do elenco CASACOR Rio de Janeiro) une design assinado, memórias de família e uma deliciosa área externa para viver com seus dois cães
Publicado em 28 de jul. de 2026, 18:00

Projeto de Miguel Capanema. (André Nazareth/CASACOR)
Comprar o primeiro imóvel é sempre um marco, mas quando o proprietário é o próprio arquiteto, o espaço ganha contornos de laboratório criativo e biografia visual. Foi exatamente isso o que aconteceu neste apartamento de 110 m² em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Assinado pelo arquiteto Miguel Capanema, à frente do escritório Miguel Capanema Arquitetura e elenco CASACOR Rio de Janeiro, o lar reflete, de forma muito pessoal, o momento em que o profissional conquistou seu primeiro endereço próprio — depois de anos morando de aluguel — para viver ao lado de seus dois fiéis companheiros de quatro patas: o golden retriever Rocco e a yorkshire terrier Florzinha.
Projeto de Miguel Capanema. (André Nazareth/CASACOR)
Localizado no térreo de um charmoso predinho neocolonial da década de 1940, o imóvel foi adquirido durante a pandemia, após uma longa busca por um espaço que conseguisse evocar a atmosfera acolhedora de uma casa. O pé-direito alto, os detalhes arquitetônicos originais e, principalmente, a joia rara de uma área externa privativa foram determinantes para a escolha. Natural de Minas Gerais e vivendo no Rio há cerca de 15 anos, Miguel sentia falta da proximidade com o verde e de uma rotina doméstica mais aberta, típica das casas mineiras de sua infância.
Projeto de Miguel Capanema. (André Nazareth/CASACOR)
Para transformar o antigo layout de dois quartos no refúgio dos seus sonhos, o arquiteto promoveu intervenções estruturais cirúrgicas. A principal delas ocorreu na área social: a cozinha, antes fechada e precedida por um lavabo logo na entrada, foi completamente integrada à sala. A mudança eliminou barreiras visuais, ampliou a sensação de amplitude e permitiu que a luz natural cruzasse os ambientes de ponta a ponta. Outro ponto alto da reforma foi a demolição da antiga lavanderia externa, coberta por um pequeno telhado. A área de serviço foi realocada para o interior do apartamento, permitindo que o antigo terraço desse lugar a um verdadeiro jardim tropical, com abundância de plantas e um chuveirão que se tornou o protagonista absoluto nos dias mais quentes do Rio.
Projeto de Miguel Capanema. (André Nazareth/CASACOR)
O conceito do projeto parte dessa deliciosa fusão: um apartamento com "cara de casa" que combina o frescor da praia, o aconchego da montanha e o ritmo da vida urbana. Essa narrativa ganha vida por meio de cores, texturas e materiais naturais. A paleta é um capítulo à parte. O verde — cor favorita do morador — surge nas portas originais e abraça as paredes e o teto da sala de jantar, criando um efeito de "caixinha" que dialoga diretamente com o jardim externo. Já o teto da sala de estar recebeu um tom de rosa antigo que valoriza a sanca original da década de 1940. No piso, o tecnocimento foi a escolha ideal, unindo rapidez de execução, unidade visual e a praticidade necessária para o dia a dia com os cachorros.
Projeto de Miguel Capanema. (André Nazareth/CASACOR)
A decoração revela um caráter profundamente afetivo, construída sem pressa a partir de um acervo reunido ao longo da vida, entre peças garimpadas, objetos de família e memórias de viagens. A escrivaninha que pertenceu ao avô divide o protagonismo com a mesa de jantar, desenhada em parceria com a mãe na época em que ela era proprietária de uma floricultura, e com as icônicas cadeiras Cesca, fruto de garimpo. O design assinado nacional também marca presença forte com a cadeira Girafa, de Lina Bo Bardi, e os clássicos bancos Mocho, de Sergio Rodrigues.
Projeto de Miguel Capanema. (André Nazareth/CASACOR)
A paixão pela arte estende-se por todas as paredes. Na ala social, pôsteres de exposições internacionais convivem com fotografias da série Bahia, Ensaio Sutil, de Ed Beltrão, e um registro autoral do próprio arquiteto capturando a grandiosidade da Catedral de Brasília, de Oscar Niemeyer. No quarto, onde uma cabeceira em chapa metálica perfurada introduz uma sutil e contemporânea leitura industrial, imagens em preto e branco de Claudia Andujar e Sebastião Salgado reforçam a atmosfera mais introspectiva e relaxante do espaço de descanso.
Projeto de Miguel Capanema. (André Nazareth/CASACOR)
Conectada ao living, a cozinha foi desenhada para ser o coração da casa. Com marcenaria em tons suaves e decorada com pratos colecionáveis e fotografias de Tiago Morena, o ambiente honra as raízes do arquiteto. Como bom mineiro, Miguel acredita que a cozinha é a alma da casa, o lugar onde as conversas começam, os encontros se prolongam e a vida ganha calor.























