N'O Portalzinho, a norte-americana Brandy Cerne combina suítes de personalidade própria, interiores de inspiração vintage e espaços que convidam à convivência
Publicado em 6 de nov. de 2026, 16:00

(Leila Viegas/CASACOR)
O nome está no diminutivo, mas pouco há de diminuto n’O Portalzinho, pousada em Paraty instalada em uma residência que faz da sensação de estar em casa parte essencial da estadia. Os quartos da construção original deram lugar a suítes privativas, com interiores renovados e uma decoração que incorpora referências brasileiras. A poucos minutos do centro histórico, a propriedade oferece uma perspectiva mais intimista da cidade, onde o descanso se alterna com a descoberta de praias, cachoeiras e ruas coloniais.
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Paredes listradas em amarelo e branco e objetos escolhidos a dedo compõem uma atmosfera que parece ter pouco de casual. Até os nomes das suítes seguem uma lógica própria, entre o humor e a intimidade: aqui, os quartos se chamam, por exemplo, Casa da Árvore, Esconderijo e Refúgio Encantado.
(Leila Viegas/CASACOR)
(Leila Viegas/CASACOR)
A experiência de hospedagem também se constrói na relação com quem recebe. À frente da pousada está Brandy Cerne, norte-americana que se mudou de Nova York para o Brasil em 2018, depois de trabalhar com hospitalidade e conexão entre pessoas em empresas como Shake Shack e Sofar Sounds. A mudança foi motivada pelo interesse pela cultura brasileira, pela natureza e pelas possibilidades de estabelecer vínculos com outras pessoas e lugares. Em Paraty, encontrou a oportunidade de reunir essas experiências em um projeto próprio. A proposta d’O Portalzinho, como define a anfitriã, é aproximar a convivência espontânea dos hostels ao conforto de um hotel, em uma pousada para quem gosta de gente.
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É atrás de uma porta vermelha que se revela o jardim. Árvores, trepadeiras e redes compõem o cenário, enquanto a piscina e os espaços ao ar livre convidam a prolongar a permanência. A circulação dos cães de Brandy, Penny, uma São-Bernardo, e Brian, acrescenta uma camada doméstica à experiência. Não é raro encontrá-los por ali, acompanhando o movimento da pousada ou rondando o café da manhã.
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Na sala dedicada à refeição, os hóspedes se acomodam em torno de uma grande mesa de madeira maciça, ladeada por oito cadeiras. Ao fundo, uma bancada com cooktop concentra o preparo dos pratos, feitos na hora e servidos com ingredientes de produtores locais. O café da manhã, incluído na diária, é também um momento de interação: entre uma xícara de café e outra, a equipe compartilha recomendações de passeios, sugere endereços e conversa com os visitantes. O ritmo da manhã se estabelece sem pressa, em uma dinâmica que aproxima hóspedes e anfitriões.
(Leila Viegas/CASACOR)
A decoração segue uma linguagem vintage, com peças garimpadas, mobiliário brasileiro e obras de artistas que ocupam as paredes. A arquitetura, por sua vez, conserva elementos da construção anterior à intervenção de Brandy. Os arcos que marcam a área comum, responsáveis por inspirar o nome da pousada — Portalzinho —, são parte dessa identidade. O imóvel pertenceu a um casal, sendo ele arquiteto, que concebeu a residência com a intenção de receber hóspedes. Anos depois, Brandy retomou essa vocação, renovou os ambientes e imprimiu ao espaço uma identidade própria, sem apagar a estrutura que o antecedeu.
(Leila Viegas/CASACOR)
São nove suítes, cada uma com características particulares. Algumas se distribuem pela área externa da residência principal, em meio ao jardim. A Casa da Árvore, por exemplo, tem varanda privativa e acesso por uma escada em espiral, com a copa das árvores como parte da paisagem vista do quarto. Já as Cabana 1 e Cabana 2 ficam próximas à piscina e contam com varandas equipadas com redes. O Refúgio Encantado, por sua vez, se distingue pela varanda privativa, enquanto a Baia guarda uma história curiosa: o espaço já foi uma antiga baia de cavalos. A diversidade dos ambientes faz com que a escolha da suíte também integre a experiência de hospedagem.
(Leila Viegas/CASACOR)
A presença de Brandy parece se refletir na atmosfera cosmopolita da pousada. Entre os hóspedes, é comum ouvir conversas em inglês, espanhol e outros idiomas; a equipe também reúne profissionais de diferentes nacionalidades. Em uma cidade cuja história se entrelaça às trocas culturais e à presença de visitantes de diferentes partes do mundo, a convivência ganha um significado particular. O Portalzinho se apresenta, assim, como um ponto de encontro entre viajantes e a cultura local — com o acolhimento brasileiro como parte indissociável da experiência.
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