Banhado por luz natural, o espaço recebeu um mobiliário leve, que tira proveito do pé direito alto e das arcos originais do edifício
Publicado em 13 de mar. de 2021, 6:00

Lia, Felipe e Betina Siqueira – Espaço III Pequena Sala de Estudos. Para comemorar os 30 anos da CASACOR Rio de Janeiro, Lia Siqueira homenageia a primeira edição da mostra batizando o espaço que faz em parceria com os filhos com o mesmo nome de seu ambiente apresentado em 1991. Solar com janelas generosas e pé-direito alto, o projeto tira proveito da arquitetura original e aposta no branco como rebatedor da luz natural e fonte de frescor, sossego e simplicidade. O mobiliário e a marcenaria assinados por Lia utilizam materiais naturais que dialogam com o piso de pedras de cantaria e com os jardins visíveis pelas janelas. (André Nazareth)
O ano era 1991. A jovem arquiteta Lia Siqueira – gravidíssima de sua segunda filha, Betina – estreava na CASACOR na primeira edição da franquia carioca da mostra. O espaço era exíguo, mas tinha um pé-direito alto que permitiu à arquiteta transformá-lo numa charmosa biblioteca, com estantes-escada que levavam a um mezanino.
Nomeado na época de Pequena Sala de Estudos, o espaço seria premiado pelo concurso anual do Instituto dos Arquitetos do Brasil. Mas na família Siqueira ficou marcado como o local do primeiro passeio de Betina, que nasceu logo na primeira semana da mostra.
Trinta anos mais tarde, Betina, agora designer de interiores, assina com a mãe e o irmão Felipe, uma nova Pequena Sala de Estudos. No espaço, o primeiro elemento que a chamou do trio foi o piso em pedras de cantaria, retiradas de uma antiga pedreira que havia na região – algo raríssimo de se encontrar.
Outro detalhe que não passou batido foi a luminosidade. Com sete janelas em arco e um pé-direito de cinco metros, o espaço é banhado por luz natural. Um recurso que o trio valorizou ainda mais trocando o off-white das paredes por branco. "Fiquei encantada por esse espaço. O nosso escritório já tem essa característica de trabalhar espaços solares e quando entrei no ambiente, ele realmente me emocionou. Tanto pela luz, quanto por esse piso" explica Lia Siqueira.
O pé-direito já alto dobra de tamanho pelo efeito causado pelas estantes exclusivas, todas em freijó, que estendem o olhar até o teto. Giratórias, as peças dialogam com a arquitetura original e servem ainda para guardar livros do “dono do espaço” – um estudioso do comportamento de artistas e seus locais de trabalho. Por conta disso, os poucos acessórios usados ali foram cedidos por nomes das artes como Gabriela Machado, Beatriz Milhazes, Luiz Zerbini e Leda Katunda. Outro empréstimo luxuoso que pode ser visto no espaço é a biblioteca de Bia Corrêa do Lago, que inclui, toda a obra de Rubem Fonseca.