No Orquidário de Palmas, 52 profissionais ocupam 35 ambientes com projetos que celebram a terra vermelha, as rochas nativas e a sabedoria ancestral, traduzindo a identidade do Cerrado tocantinense em novas linguagens do morar
Publicado em 14 de set. de 2026, 11:01

Roger França - Living Buriti. Projeto da CASACOR Tocantins 2026. (Edgard César/CASACOR)
Antes de ser parede, piso ou objeto, a matéria conta uma história. Há terra vermelha sob os pés, barro moldado pelas mãos, fibras que carregam saberes antigos, pedras extraídas no próprio Estado, frutos do Cerrado, madeira, capim-dourado e uma vegetação que não precisa ser inventada para ocupar a arquitetura.
Na CASACOR Tocantins 2026, Mente e Coração, tema desta edição, encontra tradução no encontro entre técnica e afeto, memória e invenção, natureza e intervenção. São 35 ambientes assinados por 52 profissionais, com projetos atravessados pelo Cerrado, pelas águas, pela ancestralidade, pela arte e por diferentes maneiras de compreender o morar.
Confira todos os ambientes abaixo!


































Ao ocupar o Orquidário de Palmas, a mostra transforma o espaço em um percurso pela identidade do Estado. O território surge na origem dos materiais, nas lembranças familiares, nas técnicas construtivas, nos modos de receber e nas referências às antigas casas, à vida no campo, às comunidades tradicionais e às paisagens tocantinenses. Não existe, portanto, um único Tocantins dentro da mostra. E talvez esteja aí uma de suas leituras mais interessantes.
Divino Alcan Arte e Paisagismo - Caminho dos Quilombos. Projeto da CASACOR Tocantins 2026. (Edgard César/CASACOR)
Em Caminho dos Quilombos, Divino Alcan começa literalmente pelo chão. O ambiente de 560 m² parte da história dos povos quilombolas do Tocantins e tem a terra vermelha batida como protagonista. Carvão, vasos produzidos em olarias locais, aço, materiais reutilizados, lascas e troncos do Cerrado aproximam ancestralidade, arte e reaproveitamento.
Fábio Marxx e Fausto Paiva - Cápsula Mãe. Projeto da CASACOR Tocantins 2026. (Edgard César/CASACOR)
Essa presença regional integrada à própria arquitetura também aparece na Cápsula Mãe, de Fausto Paiva e Fábio Marxx. O piso de barro, as folhas de piaçaba e outros elementos naturais recuperam soluções ancestrais, saberes tradicionais e referências à presença feminina.
Gabriella Agostini e Camila Caco - Terra e Trama. Projeto da CASACOR Tocantins 2026. (Edgard César/CASACOR)
Em Terra e Trama, Gabriella Agostini e Camila Caco fazem do artesanato tocantinense o fio condutor do projeto. Retalhos, resíduos da indústria da moda, sobras de tecidos e fibras naturais formam uma instalação inspirada no mapa do Estado, conectando sustentabilidade, identidade e trabalho manual.
Bezerra + Colauto Arquitetos - Espaço MA. Projeto da CASACOR Tocantins 2026. (Edgard César/CASACOR)
As rochas tocantinenses também assumem diferentes linguagens. No Espaço MA, Márcio Colauto e Thamise Bezerra aproximam o quartzito Opus White, extraído no sul do Estado, do conceito japonês de Ma, relacionado à pausa e ao intervalo. Já no Espaço Pedra Viva, Cássia Veras, Bruno Luiz e Alexandra Rabelo exploram as possibilidades de aplicação das pedras locais e recorrem às Dunas do Jalapão como referência visual.
Daniela Marcon - Cheiro da Flor. Projeto da CASACOR Tocantins 2026. (Edgard César/CASACOR)
No Cheiro da Flor, de Daniela Marcon, a rocha Moulin Rouge aparece em peças centrais e prateleiras suspensas, combinada à madeira, à vegetação e à luz para criar uma experiência sensorial.
Daniella Torres - Cozinha Legado Deca. Projeto da CASACOR Tocantins 2026. (Edgard César/CASACOR)
As lembranças familiares ampliam o sentido de morar. Na Cozinha Legado Deca, Daniella Torres parte das memórias do pai e da maneira como ele reunia a família ao redor da mesa. Receitas, livros, ensinamentos e sabores compõem um espaço voltado à convivência e à permanência. A mesma profissional assina o Louceiro Flor de Maracujá, no qual o gesto cotidiano de escolher a louça, arrumar a mesa e receber ganha dimensão afetiva. A flor, o fruto e os ramos do maracujá inspiram uma estampa autoral, uma coleção de louças e a paleta do espaço.
Gabriel Kós e Gabriele Dourado - Suíte Laços. Projeto da CASACOR Tocantins 2026. (Edgard César/CASACOR)
Na Suíte Laços, Gabriele Dourado e Gabriel Kós voltam o olhar para a relação entre irmãos e para as primeiras lembranças construídas dentro de casa. Concebido como um ninho compartilhado, o ambiente utiliza arcos como símbolos de união e estabilidade.
Crivelari Arquitetura e Interiores - Clemente Mumbuca Restô. Projeto da CASACOR Tocantins 2026. (Edgard César/CASACOR)
A memória também alcança as vivências no campo. No Clemente Mumbuca Restô, Daniela e Bárbara Crivelari recorrem às antigas casas de fazenda e unem, no próprio nome, uma homenagem ao pai das profissionais e uma referência à comunidade Mumbuca. Gastronomia e arquitetura se encontram em um espaço pensado para receber e criar novas lembranças.
Raymara Lima e Vivian Albuquerque - Travessia. Projeto da CASACOR Tocantins 2026. (Edgard César/CASACOR)
A natureza tocantinense não aparece apenas como cenário. Em Travessia, de Raymara Lima e Vivian Albuquerque, formas orgânicas articulam vegetação e arquitetura, enquanto obras de artistas mulheres transformam o espaço em uma galeria. No Entrefolhas, madeiras reaproveitadas durante o restauro são incorporadas ao projeto, que também preserva o diálogo com o bosque existente e com as marcas anteriores do imóvel.
Gustavo Monteiro e Melissa Siqueira - Gelateria Cadore. Projeto da CASACOR Tocantins 2026. (Edgard César/CASACOR)
Rios, pesca, embarcações e veredas surgem em formas, texturas e cores. O Cerrado se manifesta pela biodiversidade, pelos frutos e pelas atividades que se desenvolvem a partir dele. Na Gelateria Cadore, Melissa Siqueira e Gustavo Monteiro levam essa relação para o campo da produção: cultivo, colheita e fazer manual orientam um projeto que valoriza as riquezas naturais do Tocantins e o trabalho dos produtores locais. O tijolo ecológico integra tanto a estrutura quanto a identidade visual.
Ao reunir ambientes residenciais, restaurante, gelateria, clínica, espaços comerciais, jardins, áreas de convivência e instalações artísticas, a mostra amplia a reflexão sobre a maneira como as pessoas ocupam os lugares. A casa, nesse contexto, não se limita à composição estética: torna-se território de relações, hábitos, lembranças e experiências.
Danilo Noleto - Casa Legado. Projeto da CASACOR Tocantins 2026. (Edgard César/CASACOR)
Para Leny Araújo, franqueada da CASACOR Tocantins, a pluralidade de referências permite que o público reconheça o Estado por diferentes perspectivas. “A mostra valoriza aquilo que é nosso sem ficar presa ao passado. São espaços que traduzem a riqueza da nossa cultura e, ao mesmo tempo, apontam para novas formas de morar, criar e se relacionar”, afirma.
Quando: de 28 de agosto a 10 de outubro de 2026
Horários: de terça a sexta, das 17h às 22h. Sábados, das 16h às 22h. Domingos, das 16h às 21h
Onde: Quadra 402 Sul Avenida LO 9, 48 - Plano Diretor Sul Orquidário de Palmas
Ingressos: de R$ 45 (meia) a R$ 90 (inteira)
Bilheteria: online, aplicativo oficial da CASACOR e venda presencial no local
Redes sociais: @casacortocantins