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Arquitectura

As universidades mais bonitas do mundo, segundo o Prix Versailles

O Prix Versailles selecionou oito universidades que provam como a arquitetura pode transformar o ambiente acadêmico em experiência humana

Por Milena Garcia

Presentado en 26 ago 2026, 10:00

08 min de leitura
Centro Stephen A. Schwarzman de Humanidades — Universidade de Oxford

Centro Stephen A. Schwarzman de Humanidades — Universidade de Oxford (Divulgação/Divulgação)

O Prix Versailles divulgou uma seleção com as oito universidades mais bonitas do mundo em 2026, com instituições localizadas nos Estados Unidos, Reino Unido, Holanda e Austrália. Para compor o ranking, a organização avaliou projetos que se destacaram por dois critérios centrais: a integração da arquitetura com o meio ambiente e a capacidade de reunir estudantes, pesquisadores e empresas em um único espaço de convivência. Três das oito selecionadas serão premiadas em cerimônia na sede da Unesco, em Paris, no dia 10 de dezembro.


O resultado é uma lista que vai além da estética. Os projetos escolhidos revelam uma visão contemporânea do que deve ser um campus universitário: não apenas um conjunto de edifícios funcionais, mas um ambiente capaz de estimular encontros, incentivar a colaboração e refletir os valores da instituição que abriga. A seguir, conheça cada uma das universidades nomeadas.

Centro de Conhecimento em Saúde — Universidade de New South Wales (Sydney, Austrália)


Centro de Conhecimento em Saúde — Universidade de New South Wales

Centro de Conhecimento em Saúde — Universidade de New South Wales (Divulgação/Divulgação)

Localizado em Sydney, o projeto tem uma fachada inspirada nas praias da região — e essa referência vai além do visual. O edifício integra pesquisa, educação, práticas hospitalares e indústria em um único espaço, facilitando a transição entre produção em laboratório e aplicação clínica. No interior, elementos de floresta nativa evocam as raízes indígenas da localidade, com cores e texturas que recusam a frieza institucional típica dos ambientes de saúde. No aspecto ambiental, a fachada reduz em 60% a radiação solar incidente no campus.

Centro Ray Dolby — Universidade de Cambridge (Cambridge, Inglaterra)


Centro Ray Dolby — Universidade de Cambridge

Centro Ray Dolby — Universidade de Cambridge (Kilian O' Sullivan/Divulgação)

Sede do Departamento de Física da universidade, o edifício se destaca pelas amplas áreas de circulação iluminadas e pelos espaços de convivência que favorecem os encontros. A sofisticação técnica da estrutura é outro ponto de destaque: o centro possui controle preciso de temperatura, vibração e umidade, essenciais para os experimentos conduzidos em seus 173 laboratórios. Com 32,9 mil m² de área construída, é o maior do gênero no Reino Unido e leva o nome de Ray Dolby, ex-aluno da instituição e inventor do sistema de redução de ruídos que revolucionou a indústria do áudio.

Centro Stephen A. Schwarzman de Humanidades — Universidade de Oxford (Oxford, Inglaterra)


Centro Stephen A. Schwarzman de Humanidades — Universidade de Oxford

Centro Stephen A. Schwarzman de Humanidades — Universidade de Oxford (Divulgação/Divulgação)

O edifício apresenta estrutura inconfundível graças ao pátio espaçoso coberto por um enorme domo. O revestimento em pedra Clipsham e tijolos de cor creme dialoga com a paleta arquitetônica tradicional do campus oxfordiano, sem abrir mão da contemporaneidade. O centro reúne os cursos de humanidades da universidade — de Filosofia e Música a Teologia e Linguística —, além de uma sala de concerto para 500 pessoas, um teatro, um cinema e um espaço de exibição. Também compõe o conjunto o Instituto de Ética em IA, o Instituto de Internet de Oxford e a Livraria de Humanidades Bodleian.

Biblioteca Universitária — Universidade de Amsterdã (Amsterdã, Países Baixos)


Biblioteca Universitária — Universidade de Amsterdã

Biblioteca Universitária — Universidade de Amsterdã (Jannes Linders/Divulgação)

A biblioteca ocupa um casarão que abrigava um antigo complexo hospitalar tombado como patrimônio histórico. O desafio do projeto era transformar o espaço sem apagar sua identidade. Para isso, a solução foi converter a área interna em um grande átrio coberto por um telhado de aço e vidro em formato de folha, que maximiza a luz natural e regula o conforto térmico. A nova fachada traz letras tridimensionais com versos do poema Awater, do holandês Martinus Nijhoff, reproduzidos em 24 idiomas e seis sistemas de escrita. No interior, uma escadaria chamada "Árvore da Sabedoria" foi projetada para estimular encontros e descobertas.

Centro Anthony Timberlands de Inovação e Design em Materiais — Universidade do Arkansas (Fayetteville, Estados Unidos)


Centro Anthony Timberlands de Inovação e Design em Materiais — Universidade do Arkansas

Centro Anthony Timberlands de Inovação e Design em Materiais — Universidade do Arkansas (Timothy Hursley/Divulgação)

Uma aos mais de 19 milhões de hectares de florestas do Arkansas, o centro foi concebido como um manual de construção em madeira em escala real. O projeto integra laboratórios, estúdios e um auditório ao redor de uma grande oficina central, transformando a própria arquitetura em ferramenta pedagógica. A cobertura em vidro garante ampla presença de luz natural, e o uso do material local como protagonista estrutural e estético reforça o compromisso do projeto com o território e com a sustentabilidade.

Centro de Ciências Robert Day — Claremont McKenna College (Claremont, Estados Unidos)


Centro de Ciências Robert Day — Claremont McKenna College

Centro de Ciências Robert Day — Claremont McKenna College (Laurian Ghinitoiu/Divulgação)

O edifício resolve, com inteligência espacial, um desafio recorrente nas universidades contemporâneas: aproximar áreas do conhecimento historicamente separadas. O átrio central é formado pela rotação de 45° entre os pavimentos, criando uma geometria que favorece a circulação e o encontro. Com 13,5 mil m² distribuídos em oito terraços, passarelas abertas e espaços colaborativos, o centro é o polo das ciências da computação, de dados e da vida no campus.

David Rubenstein Treehouse — Universidade de Harvard (Boston, Estados Unidos)


David Rubenstein Treehouse — Universidade de Harvard

David Rubenstein Treehouse — Universidade de Harvard (Jason O'Rear/Divulgação)

O nome já entrega o conceito: o centro de conferências foi projetado para evocar a experiência de estar em uma casa na árvore. A intenção é criar um espaço de conexão entre líderes, indústria e comunidade local — e a arquitetura responde a esse propósito com uma escada central que serpenteia ao redor dos elevadores até chegar ao Canopy Hall e a um terraço panorâmico. Sistemas integrados de eficiência ecológica completam o projeto, conciliando bem-estar dos ocupantes e redução do impacto ambiental.

Centro Estudantil Bloomberg — Universidade Johns Hopkins (Baltimore, Estados Unidos)


Centro Estudantil Bloomberg — Universidade Johns Hopkins

Centro Estudantil Bloomberg — Universidade Johns Hopkins (Divulgação/Divulgação)

A primeira unidade dedicada exclusivamente à vida estudantil da Johns Hopkins foi pensada como uma "sala de estar" para os alunos. Quatro pavimentos em madeira se integram a uma encosta, com acesso direto a todos os andares e amplas áreas de convivência banhadas por luz natural. O centro abriga mais de 200 organizações estudantis, espaços de ensaio, estúdios de arte e dança, um centro de mídia digital e um refeitório. No telhado, mil painéis solares distribuídos por 29 coberturas reforçam o compromisso ambiental de uma estrutura que foi projetada, acima de tudo, para o bem-estar coletivo.